Com 4 Indicações e o favoritismo de Viola Davis, “Um Limite Entre Nós” é a penúltima obra a ser analisada no nosso Oscar Interativo.

Melhor Filme
Melhor Ator (Denzel Washington)
Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis)
Melhor Roteiro Adaptado

Não exatamente “teatro filmado”, porém, não cinematográfico o bastante para ser encarado como tal, “Um Limite Entre Nós” é um longa-metragem diferente e assim deve ser visto.

Baseado na peça teatral “Fences”, o longa segue a estória de Troy Maxson, um coletor de lixo amargurado com seu passado de promissor jogador de baseball, que lida com o dia-a-dia de sua família, agindo como um chefe e impondo suas verdades àqueles que vivem sob seu teto. Dentre os personagens que protagonizam a trama estão sua esposa (Viola Davis, em espetacular atuação), seu irmão com problemas mentais devido à Segunda Guerra Mundial e seu filho Cory (Jovan Adepo), que pretende ingressar no esporte. Todos carregam a figura pesada e nervosa de Troy em suas jornadas.

Um Limite Entre Nós” discute diversos temas, mas foca essencialmente no não-comodismo do norte-americano negro ciente da história de seu povo. A insatisfação do personagem de Denzel Washington – que também dirige o filme – é palpável em seus longos discursos, carregados de maneirismos, sobre como a justiça para o negro é diferente, apesar da lei dizer o contrário, assim como a impossibilidade de escolhas emocionais. Meritocracia, racismo, inconformismo e depressão são os temas dos bem-escritos diálogos e dos tensos silêncios construídos com louvor por um argumento forte e auto-suficiente.

Porém, como dito no início, “Um Limite Entre Nós” não consegue alçar voo como cinema. Seus inevitáveis cenários repetidos e a falta de criatividade dos planos abertos e da câmera parada tornam a experiência cansativa. O roteiro não consegue se desgarrar de sua essência teatral, sendo que temos “Deus da Carnificina” e “Uma Rua Chamada Pecado” para confirmar que é possível adaptar peças literais e intimistas para o formato cinematográfico sem ficar maçante. Apesar de sua força e intensidade emocional na frente das câmeras, Denzel Washington não atinge o espectador da mesma forma como diretor, apostando demais nos gritos e nas lágrimas, se esquecendo que, como experiência sensorial, o cinema tem diversos outros artifícios que propiciam a catarse.

Intenso e necessário, o longa não deve nada em seu argumento, mas sem dúvidas funciona melhor como peça teatral. Pontos pela coragem e pela mensagem, mas a prova definitiva de que a criatividade e o domínio da técnica são essenciais ao contar uma história de forma audiovisual.